O representante da UNESCO em Moçambique, Michael Croft, defendeu na sexta-feira, 14 de Agosto, em Maputo, que a consolidação de uma paz duradoura no país exige mais do que acordos políticos, devendo assentar na valorização da cultura e no envolvimento das comunidades.
Falando no Centro Cultural Moçambique-China, durante a Sessão Plenária I do Diálogo Nacional Inclusivo, o diplomata lembrou a génese da agência das Nações Unidas para fundamentar a sua posição. “A UNESCO foi criada para construir a paz. Como as guerras nascem na mente dos homens e das mulheres, é na mente dos homens e das mulheres que devem ser construídas as defesas da paz”, citou.
Para o responsável, as soluções para a instabilidade não podem depender apenas de decisões formais, pois é na mente e na memória colectiva que a cultura actua como catalisador de transformação. Apoiando-se no relatório Culture for Peace, Croft destacou a urgência de integrar líderes tradicionais na mediação de conflitos e de usar a arte na recuperação social das populações afetadas pelo conflito em Cabo Delgado.
O diplomata apelou ainda à inclusão da juventude e ao investimento nas indústrias criativas dentro das políticas públicas de desenvolvimento. Apesar dos desafios económicos do país, Michael Croft concluiu reforçando que “na cultura moçambicana encontra-se um vasto arsenal para a paz”, garantindo o apoio continuado da organização.




