A Associação Inclusão, em representação de uma plataforma que reúne mais de 30 organizações juvenis, entregou à Comissão Técnica (COTE) do Diálogo Nacional Inclusivo, entregou, no dia 18 de Dezembro de 2025, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano (CICJC), em Maputo, um conjunto de 12 propostas destinadas a reforçar a participação dos jovens na vida política e económica do país. A entrega resulta de um processo de auscultação que envolveu mais de 1.500 jovens nas províncias de Maputo, Sofala e Nampula. O documento entregue procura canalizar a contestação juvenil para uma participação construtiva, num contexto marcado por tensões pós-eleitorais que afectaram o normal funcionamento do país.
Na ocasião, o presidente da COTE, Edson Macuácua, sublinhou a necessidade de ampliar o espaço cívico e de integrar as vozes juvenis no processo de diálogo nacional. “Inclusão é o próprio nome do processo. Queremos que os jovens expliquem como se organizaram e como veem este processo”, afirmou, ao receber formalmente o documento.
Entre as propostas apresentadas no documento, o representante da Associação Inclusão, Jonathan Eduino Nhancale, destacou a introdução de um “modelo de lista zebra”, prevendo a alternância obrigatória, nas listas de candidatura, entre candidatos com menos de 35 anos e candidatos com mais de 35 anos, como forma de garantir maior representatividade geracional.
O pacote de recomendações abrange ainda mudanças de carácter político, económico e social. No pilar da revisão constitucional e da governação, os jovens defendem a redução dos poderes de nomeação do Presidente da República, a reformulação dos modelos de governação eleitoral e o aprofundamento da descentralização, bem como a concessão de amnistia a cidadãos detidos no contexto pós-eleitoral.
No plano económico e social, as propostas incluem a implementação de políticas de formação técnico-profissional para facilitar a inserção dos jovens no mercado de trabalho, a criação de leis eficazes de combate à discriminação nos sectores laboral e educativo e a adaptação dos mecanismos de recrutamento para jovens com deficiência visual, física e auditiva.
Outras recomendações passam pela reabertura de fábricas de processamento e produção, isenção do IVA sobre produtos de primeira necessidade, construção de habitações acessíveis para jovens, inclusão de jovens muçulmanos em posições de liderança nas multinacionais e a criação de linhas de crédito específicas, acompanhadas de facilidades de acesso.
A COTE indicou que os contributos serão analisados no âmbito dos trabalhos em curso.





