População de Etatara e Mitúcue exige prioridade no emprego local e maior transparência na gestão dos recursos naturais

No âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo a Comissão Técnica, orientou uma sessão de auscultação pública no Posto administrativo de Etatara e na Localidade de Mitúcue, distrito de Cuamba, em Niassa, onde reuniu com a comunidade para colher contribuições em relação às matérias do compromisso político desde a revisão constitucional até a governação.

Do processo, depreende-se que a população enfrenta dificuldades relacionadas com as más condições das vias de acesso, o que limita o escoamento da produção agrícola e compromete o desenvolvimento económico local. Verificam-se também preocupações ligadas ao processo eleitoral, com propostas de implementação do voto electrónico, fiscalização por antigos combatentes, realização do processo apenas no período diurno. Manifesta ainda preocupação com o elevado índice de desemprego e a exclusão da mão-de-obra local, sobretudo nas empresas que exploram recursos naturais, exigindo prioridade para a contratação de jovens da comunidade.

Constata-se igualmente que a população não se sente beneficiada com a exploração dos recursos naturais e acusa as empresas de não cumprirem as responsabilidades sociais, defendendo que os recursos sejam explorados e processados no país. No âmbito da administração pública, são levantadas preocupações relacionadas com a corrupção, incluindo a cobrança indevida de valores para admissão em concursos públicos, bem como a necessidade de despartidarização das autoridades comunitárias e maior transparência por parte dos dirigentes locais.

No sector da educação, destacam-se a insuficiência de professores e a baixa qualidade de ensino, a necessidade de mais infraestruturas escolares e a revisão de algumas políticas educacionais, como a mudança frequente de livros e as passagens automáticas. No sector da saúde, aponta-se a insuficiência de medicamentos, a necessidade de expansão das unidades sanitárias, a melhoria da qualidade dos serviços e a criação de mecanismos de fiscalização para mitigar a corrupção. A população solicita ainda maior inclusão das pessoas com deficiência nas oportunidades de emprego e concursos públicos. Por fim, manifesta-se frustração em relação ao FIDEL, devido aos valores gastos na tramitação de documentos.