Governação, emprego e reconciliação em debate no distrito de Moamba, em Pessene

No quadro do processo de auscultação pública do Diálogo Nacional Inclusivo (DNI), a equipa da Comissão Técnica (COTE) destacada para a província de Maputo realizou, nesta quarta-feira, 18 de Março, uma sessão de auscultação no Posto Administrativo de Pessene, no distrito da Moamba.

A sessão contou com uma participação da comunidade local, que se envolveu activamente no debate, apesar de um ambiente inicialmente marcado por alguma polarização. Durante o encontro, foram abordados diversos temas de interesse público, com destaque para assistência social, serviços médico-hospitalares, registo civil, notariado, justiça, educação, emprego e infraestruturas, incluindo estradas, energia e escolas.

Nas intervenções, os participantes partilharam preocupações e expectativas em relação à governação e à actuação das lideranças. “Os líderes do Estado não podem dizer uma coisa e fazer outra. Devem ser o exemplo e modelo da sociedade, o espelho onde todos se revêm e seguem”, afirmou um líder religioso. Por sua vez, um jovem manifestou a necessidade de um ambiente seguro para a livre expressão de opiniões: “Temos que ter a certeza de que podemos falar à vontade, sem receio de perseguições após esta sessão”.

O chefe da equipa destacou o propósito central da iniciativa, sublinhando que “a razão deste diálogo é a reconciliação. As pessoas devem poder falar de coração aberto, ser respeitadas e não correr o risco de perseguição. Devemos cultivar a capacidade de ouvir e compreender o outro”.

Alguns participantes manifestaram também cepticismo em relação à implementação das promessas feitas em processos anteriores, alertando para a necessidade de resultados concretos. “Muitas vezes somos ouvidos em encontros semelhantes, e nas campanhas eleitorais prometem-nos muito, mas pouco se concretiza. Esperamos que, desta vez, as promessas sejam efectivamente cumpridas”, referiu um dos intervenientes.

O tema do emprego gerou igualmente debate, com diferentes perspectivas entre os participantes. Enquanto alguns destacaram a falta de oportunidades, outros apontaram para a necessidade de valorização do trabalho agrícola como alternativa viável.